quarta-feira, maio 07, 2008

teste

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domingo, março 18, 2007

-- Deslocamento --

Minha alma é nômade - RELatividade

De alma nômade convivo pacificamente com os limites de meu corpo, sei que a limitação de não poder voar não é um limite físico, mas sim, um incapacidade de enxergar o que existe a mais.
Meu nomadismo prosseguirá portanto nesse ambiente virtual, local onde por vezes me sinto potencializado mesmo que ainda cético sobre tal.
Aqui começa meu novo blog, ou pelo menos uma tentativa de novamente me movimentar - o Relatividade do Blogspot foi essencial e apaixonante, mas agora o Relatividade no wordpress controla a situação e prossegue: “aproximando fragmentos e derretendo eles em público”.
até mais,
Lucio Uberdan

sábado, março 17, 2007

Andy Palacio – Música e defesa da cultura Garífuna



Vídeo da música "Wátima" que compõem o disco de mesmo nome de Andy Palacio, um dos mais populares músicos do Belize. No CD ele toca com o Coletivo Garifuna.

O Belize é um pequeno país da América Central que faz fronteira com o México, Honduras e Guatemala e que tem uma costa paradisíaca, motivo pelo qual o turismo torna-se uma fonte de renda controladora e de certa maneira escravizadora da cultura Garifuna.

Andy não é apenas músico, mas é um ativista e defensor da cultura Garifuna. Os Garifunas são uma população afro-crioula que instalou-se na atual região do Belize, são ex-escravos que misturados aos Índios recriaram uma cultura linda e alegre.

O CD também tem a participação do mestre Paul Nabor. Vale a encomenda.
Lucio Uberdan

“Textos e planilhas”: Um exemplo de colaboratividade nas novas tecnologias - TIC's


Trabalhando em um artigo hoje pela manhã, de título provisório “Liberdade, criatividade e compartilhamento: Conceito e inevitabilidade contemporânea?”, me senti com vontade de dividir a ferramenta “Textos e planilhas” que compõem o Gmail (servidor de emails da GOOGLE).
Você já se deu por conta que a esquerda na parte superior (acima do logo Gmail) não para de cessar o aparecimento de pequenos links na seguinte ordem – Google – Gmail – Agenda – Fotos – Textos e planilhas – mais >>>. Esses links são: i) demais serviços disponibilizados gratuitamente pela Google que funcionam de maneira articulada entre si; ii) essas ferramentas podem funcionar articuladamente entre você e outros usuários Google que você escolhe.


Vamos lá?

Voltando ao “Textos e Planilhas”. Estando dentro de sua caixa de email (Gmail), clique nesse link (bem acima a esquerda), na nova tela que se abre você terá a possibilidade de criar um “Novo documento” (clique), agora você esta diante de uma tela semelhante ao seu Word (software proprietário - limitadíssimo) ou OpenOffice writer 2.0 (software livre e milhares de vezes melhor).

Comece agora a escrever o que bem desejar, comece sempre com um título (ex: Mil Platôs), assim ao salvar ele colocará como nome do arquivo o título escrito. Note que se tem as principais ferramentas dos editores de texto, bem como, se clicar em “inserir” abre-se mais outras tantas. Após escrever o que desejar, clique em “Salvar e fechar” (no alto a direita).

Você está agora com seu trabalho salvo. Na tela agora e na seqüência do nome do arquivo, terá a palavra “eu” “compartilhar agora” (link) clique ali. Na nova tela que se abre terá um espaço em branco a esquerda, comece a digitar os emails dos amigos os quais queres compartilhar o trabalho, pode-se colocar muitos emails, após é só clicar em convidar e confirmar na pequena janela que abre. Um convite será enviado as pessoas escolhidas.
A partir de agora o texto será feito de maneira colaborativa (ex: brincadeira de colaboratividade entre Guattari e Deleuze no vol. 1 do Mil Platôs - Capitalismo e equizofrenia - na imagem).
Um abraço.
Lucio Uberdan

terça-feira, março 13, 2007

Há que acabar com tudo isso

"Repentinamente, todos consumiremos drogas; sejam administradas sob regras ou vendidas sob contrabando, isto apenas é uma distinção formal." >>> íntegra aqui.
John Zerzan

Bab Aziz-Le Prince Qui Contemplait Son Âme

"Perdido em um oceano da areia, duas silhuetas andam sobre Ishtar, uma menina pequena que desliza completamente com espírito, e seu Bab de primeira geração Aziz, um dervish cego. A menina, guia-o para a reunião dos grandes dervishes que ocorre a cada trinta anos, mas para encontrar o segredo do lugar, é necessário “parar e escutar o silêncio infinito do deserto com seu coração”.

Cruzando o oceano de areia para encontrar o local da cerimônia valendo-se apenas da fé. Durante a viagem, Bab'Aziz distrai sua pequena neta contando-lhe histórias antigas, como a do príncipe que abandonou seu reinado para se converter num dervishes. Enquanto aguarda pacientemente que o deserto lhe revele seu segredo: o lugar de recolhimento. Quando finalmente encontra, despede-se de sua neta com um último beijo e a entrega aos cuidados do amigo Zaid. É chegada a hora de Bab'Aziz se fundir com o mundo, transformando-se numa das inúmeras histórias que são contadas no deserto. Relatos tão numerosos como os grãos de areia.

O filme Bab Aziz é uma produção conjunta - Fraça, Alemanha, Tunísia e Grã-Bretanha, para baixar a trilha sonora do Filme - BAB AZIZ clique nos links a seguir - Links para baixar CD1 e CD2
Lucio Uberdan

domingo, março 11, 2007

O legado de Fela Kuti - Movimento Afrobeat e a radicalidade pela Nigéria Livre

O legado de Fela Kuti
Fonte: nem1nome - Lisboa - Portugal

Depois de ter agitado a noite londrina com a sua banda Koola Lobitos enquanto frequentava uma escola de música local, e de ter contactado com o movimento Black Panthers – e com o jazz – nos EUA durante o efervescente ano de 1969, Fela Kuti regressou à sua Nigéria natal com intenções bem definidas relativa às políticas corruptas e socialmente desastrosas que dominavam o seu país. Não basta falar em carisma para descrever a pessoa de Fela Kuti, e é por demais redutor falar em legado para resumir tudo aquilo que Fela fez – musica, social, e politicamente – ao longo das décadas de ’70, ’80 e ’90. Porquê? Porque não é fácil encaixar a grandeza, excentricidade e multiplicidade de feitos deste génio musical num punhado de palavras. Boa parte da vida de Fela parece arrancada de uma doutrina de insurreição: o denominador comum a tudo aquilo que Fela fez é o radicalismo.

Insatisfeito com a instabilidade política do seu país, e decorrente miséria social, Fela desenvolveu ao longo da década de 70 a sua visão musical: o Afrobeat, um fiel retrato de tudo aquilo que Fela fez e quis fazer pelo continente Africano. Uma mescla de ritmos africanos, big bands de jazz, funk, metais, uma figura de estilo pródiga em mensagens e palavras de intervenção. Música declaradamente panfletária que crescia a cada semana num clube nocturno – “The Shrine” – de Lagos, e que tinha a sua sede na propriedade comunal desenvolvida por Fela – Kalakuta Republic. Fela declarou a independência deste espaço comunitário, onde se encontrava o estúdio em que gravava e onde vivia com a sua extensíssima família (as suas 28 esposas, das quais mais tarde se viria a divorciar por achar que uma mulher não deveria ser propriedade de ninguém). A aceitação massiva do Afrobeat na Nigéria, e as prestações frenéticas de Fela Kuti nos concertos semanais do Shrine – Fela alternava entre o sax, o teclado, a voz e doses consideráveis de erva – deram a Fela uma credibilidade popular nos bairros de lata de Lagos que mais tarde se revelaria essencial.

Em 1977, o regime militar moveu um ataque de cerca de 1000 soldados sobre Kalakuta, com consequências devastadoras: a propriedade foi incendiada, Fela ficou seriamente ferido, e a sua mãe foi assassinada, tendo sido atirada na sua cadeira de rodas a partir do primeiro andar do edifício central de Kalakuta. A posição de Fela não saiu de forma alguma enfraquecida. Ainda na ressaca desta tragédia, Fela organizou uma marcha pelas ruas de Lagos. Objectivo: entregar o caixão com o corpo da sua mãe ao chefe de estado que ordenou o ataque.

Os conflitos continuaram e durante a década de ’80 o governo acabaria por encontrar matéria legal suficiente para condenar Fela Kuti a 10 anos de prisão. O apoio do povo nigeriano e a acção diplomática da Amnistia Internacional acabariam por dar frutos, encurtando a reclusão de Fela. Fela voltou ao mundo com vontade redobrada de reafirmar a revolução afrobeat, e foi assim que foi continuando o seu trabalho, reflectindo cada vez mais o seu desagrado face às políticas internas e às políticas dos países ocidentais e ex-colonialistas em África. Fela acabaria por morrer em 1997, vítima de AIDS e de ferimentos contraídos num ataque militar.

No entanto, a visão deste homem já o tinha suplantado, e durante os anos em que esteve preso, Femi Kuti assumiu o comando da big band do pai. Talvez tenha sido esta convivência próxima com a dura realidade da vida de Fela que tenha feito Femi optar por uma abordagem menos racista, sexista, e extravagante dos problemas que ainda hoje afligem África. Essa postura menos radical reflecte-se numa sonoridade que bebe influência numa maior panóplia de estilos musicais e cuja mensagem, apesar de mais sóbria, continua a ser eminentemente política. Femi atestou em conjunto com a associação red+hot, o peso e influência que o afrobeat tem na cena musical dos dias que correm, gravando uma compilação de versões de temas de Fela Kuti em conjunto com artistas das mais distintas esferas musicais.

O que lhe falta em excentricidade e mediatismo, sobra-lhe em acção: Femi Kuti continua a dar concertos semanais em Lagos, Nigéria, e prepara terreno para a entrada em cena de Seun Kuti, o filho mais novo de Fela.

Algumas músicas: Expensive shit - Lady - Gentlemen - Water No Get Enemy - Sorrow Tears And Blood
Clique no link e faça download do cd - Fela and the Afrika 70 - Zombie


ANOUAR BRAHEM - Música? sim.

Anouar Brahem (a direita do oud), músico Tunísiano especialista no oud espécie de bandolim árabe (foto). Anouar estudou e especializou-se no estilo árabe chamado Maqam. Deixou-se influenciar também pelo Jazz, pela música oriental e mediterrânea.
Vá no seu emule, kaaza ou similar e procura uma música chamada "Le Voyage De Sahar", escuta, se gostar baixa ou encomenda o CD, ele tem o mesmo nome da música.
Lucio Uberdan

quinta-feira, março 08, 2007

Hoy Estoy Raro - El Cuarteto De Nos - Antiga e ótima banda de rock do Uruguay

Hoy Estoy Raro - El Cuarteto De Nos

Hoy estoy raro y no entiendo porque
si nada extraño me tuvo a maltraer
hoy estoy raro y no sé lo que hacer

Será que hoy me puse a recordar
los días de mi infancia cuando siempre estaba mal
hijo único de la casualidad
mi padre era hippie y mi madre era punk
ca, capaz fue por esa niñera
que para que no llorará ponía en mi mamadera
valium y salió un
día con sus amigos y volvió con esa manga de drogados
y acelerados
en un rito satánico después de torturar a mi hámster
cocinaron, fue un infierno
me lo hicieron probar y no era tierno

depende, ahí yo era un jopende
como dijo mi tío que es un tipo que me entiende
el que no sufre no aprende
y me bajo el nintendo de una patada
y me robó la plata que el ratón dejó bajo mi almohada
todos se reían cuando arrastraba la erre
mi abuela me pedía que si moría no la entierre
y que subiera más, quizás, quizás, quizás

Hoy estoy raro y no entiendo porque
si nada extraño me tuvo a maltraer
hoy estoy raro y no sé lo que hacer
sentarme a esperar
que se me pase y chau

Y ta capáz fue que quedé marcado
por ser hijo de padres divorciados
que tarado, no lo había pensado
pero si fuera así todos seríamos traumados
y yo a media luz, ponía un blues
y mi abuela a Jesús
le pedía que Gardel no fuera de Toulouse
yo pinchaba con su cruz
mis granos de pus
por mi alergia al pus
achus, será que fui a cenar
con la novia de mi padre
que me invitó pero me hizo lavar las cacerolas
y al ver que mi hermana desfilaba media en bolas
me dijo mira, las modelos son todas trolas
y se enfurece, justo ella
que cuando toma se empútese
y me tuve que rajar
cuando después del cuarto vino
me empezó a toquetear
y se rió y le vino hipo
y me contó como anticipo
que va a dejar al viejo
por el tipo que le pago la lipo
será por eso
que estoy sensible
la vida es impredecible

Hoy estoy raro y no entiendo porque
si nada extraño me tuvo a maltraer
hoy estoy raro y no sé lo que hacer
sentarme a esperar
que se me pase y chau

Capaz que no le hizo gracia al de la farmacia
cuando dije que yo defiendo a muerte la eutanasia
decía que si todos se morían se fundía
y me tiro con un frasco de homeopatía
o en una de esas
como decía el peyote, estoy mal de la cabeza
pero no, si el doctor que me curó
me juró que la herida del frascazo en la nuca ya cicatrizó
será ese copetín que tome en un cafetín
picando un salamín, escuchando Led Zeppelin
o fue esa moza con pinta de viciosa
que me babo, y se hecho en mis brazos alguna cosa
que pedazo de guaso se rompió el vaso
cuando mi faso le quemó el brazo
y por mi torpeza
deje un barril gigante de cerveza mal cerrado
y el bar quedó inundado
que acertado
pensar que yo me quise levantar a la nami
hablando del tsunami
baldeando me dijo, viste
volve por donde viniste
el cielo no existe

Hoy estoy raro y no entiendo porque
si nada extraño me tuvo a maltraer
hoy estoy raro y no sé lo que hacer
sentarme a esperar
que se me pase y chau

quarta-feira, março 07, 2007

Carta a Jean Baudrillard - Muniz Sodré

Jean, não mais...

Duas semanas atrás, falando ao telefone com Jean Baudrillard, ele se mostrou afável e encantatório, como sempre ao longo de 27 anos de amizade bastante próxima. Pequenas queixas, sim: as dores causadas por um dos dois tumores que o acometeram e a aflição com as terapias invasivas. Há um ano, depois da suposição de que o mal estava sob controle, dera-se a recidiva, e ele me disse em Paris: "Muniz, la bête est réveillée". A fera acordou... Ainda assim, em dezembro último, jantamos juntos -- eu, ele, Raquel Paiva, Marine (sua mulher) e a família Maffesoli. Mas quarta-feira passada, Marine me deixou entender ao telefone que não havia mais esperanças.

Os amigos perdem um grande amigo, o mundo intelectual perde um pensador. Um pensador que deixa leitores, mas não seguidores, porque pertence à linhagem francesa de críticos da cultura debruçados sobre o limite das coisas, das formas, das representações, com um estilo único e inimitável. Um pensador da morte. Assim também foram Barthes, Lacan, Deleuze, por exemplo.

Num texto que fiz sobre Jean para o número especial que os famosos Cahiers de l'Herne lhe dedicaram em 2004, citei a propósito de sua obra uma recomendação de Gumbrecht, professor de literatura em Stanford (EUA): "Não acredite em nenhum 'método' ou (pior) 'metodologia' -- não porque os métodos ou as metodologias sejam intrinsecamente maus, mas porque eles o impedem de pensar de modo independente e de desfrutar sua liberdade intelectual em uma dimensão de pensamento que não admita regularidades rígidas".

Não que Baudrillard tivesse qualquer posição definida sobre métodos, mas ele achava que o real excede as suas representações possíveis, que o real é mais -- podia até mesmo "desaparecer", isto é, deixar morrer o sentido que lhe atribuíam. Não discordava de Dumézil: "O método é o caminho depois que se passou por ele". E foi assim, inventando, chutando como Pelé, que ele traçou a genealogia da morte, da sedução, da ilusão, do monopólio discursivo da mídia. Foi assim, encantando como um sofista, filosofando com estilo próprio, escrevendo com a luz (era um filósofo-fotógrafo), que dissecou de forma única a modernidade tardia que atravessamos.

A Paris de que sei está hoje de luto.

Muniz Sodré - Sociologo e jornalista, professor titular da UFRJ

Jean Baudrillard, "humilhação" - tese da impossibilidade da não-retribuição do 11 de setembro.

Esse confronto só pode ser compreendido à luz da obrigação simbólica. Para compreender o ódio do resto do mundo em relação ao Ocidente, é preciso inverter todas as perspectivas. Não se trata do ódio (...) mas, sim, do ódio daqueles a quem tudo se deu sem que eles pudessem retribuir (globalização - grifo meu) (...). E é a este que responde o terrorismo do 11 de setembro: humilhação contra humilhação. O pior para a potência mundial não é ser agredida ou destruída, é ser humilhada. E a potência foi humilhada pelo 11 de setembro, porque os terroristas lhe infligiram, então, alguma coisa que ela não pode retribuir. Todas as represálias são apenas um aparelho de coação física, ao passo que ela foi desfeita simbolicamente. A guerra responde à agressão, mas não ao desafio. O desafio só pode ser aceito humilhando o outro em resposta (mas, de modo algum, esmagando-o sob bombas, nem trancando-o como cães em Guantánamo). Le Monde Diplomatique - Novembro de 2002
Lucio Uberdan

terça-feira, março 06, 2007

Jean Baudrillard - Um dos maiores pensadores do século faleceu hoje em Paris.

Não escrevia a dias no Blog, parecia sem necessidade apesar de muitas coisas acontecerem, mas hoje (agora) foi inevitável. Chegando em casa a pouco fui informado do falecimento de um grande pensador que eu ainda sonhava um dia conhecer. A alguns anos atrás, fui a Porto Alegre especialmente para uma palestra do francês Jean Baudrillard em um seminário internacional, por motivos de doença a sua viagem ao Brasil para o evento foi cancelada.

Baudrillard seguirá ainda assim, como um dos pontos essenciais do Rizoma de que constantemente me relaciono.

Baudrillard deixa uma literatura de dezenas de livros, com uma escrita incomparável, conseguia com maestria juntar a filosofia, a sociologia e a literatura regadas a muita acidez e inovação – criava palavras, conceitos, nos propunha pensar o impensável sem medo algum de falar o que não era políticamente correto que para tal, era algo óbvio demais.

Baudrillard não era nem otimista, nem pessimista, muito menos tinha medo do niilismo, faceta o qual ele brincava como a um pião em torno e em voltas com sua ironia.

Baudrillard se vai sem deixar comparações, dentre alguns de seus livros, impossível não enumerar alguns , pois constam de minha leitura - “Simulacros e Simulações” - livro responsável pelo origem da trilogia Matrix; “A Sombra das Maiorias Silenciosas”; “Tela Total - Mito-Ironias da Era do Virtual e da Imagem”; “A Transparência do Mal – Ensaio Sobre Fenômenos Extremos”; “A Ilusão Vital”; “Power Inferno” e “Senhas”.

Sem medo de ser piegas, assumo que fui/sigo transformado e em transformação pela escrita desse senhor.

"Com a eleição de Arnold Schwarzenegger para o cargo de governador da Califórnia, estamos em plena farsa, onde a política não passa de um jogo de ídolos e de marketing. É um imenso passo para o fim do sistema representativo. E eis a fatalidade do político atual: por toda parte, aquele que aposta no espetáculo perecerá pelo espetáculo. Isto é válido tanto para os "cidadãos" quanto para os homens políticos. É a justiça imanente da mídia. Vocês querem o poder através da imagem? Então perecerão pelo retorno da imagem. O carnaval da imagem é também a (auto )canibalização pela imagem" - Jean Baudrillard em "Carnaval Canibal", texto feito especialmente para a palestra no Brasil que cito no início do post.
Lucio Uberdan

terça-feira, fevereiro 20, 2007

Por do Sol no Quadrado.


by Flickr
Lucio Uberdan

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Sonho I

Era um pátio curto, 6x10 talvez no máximo. Muita coisa jogada pelo chão, bicicleta, pneu, 2 varais de roupas no mínimo. Uma porta dava entrada para a a casa. Eu entrei nessa porta e em silêncio ia sendo aceito. Sendo bem vindo por ela.

-Oi.
-Oi.
-Vou tomar um banho.
-Tá.

Por longos minutos, o silêncio foi interrompido pelo cair da água do chuveiro. Meus olhos revolviam tudo pelo quarto, esse, refletia a bagunça que vinha do pátio. Um guarda roupa popular de compensado com 6 portas e umas 4 gavetas fazia uma enorme ginástica para ficar todo aberto, tinha roupa por todo o lado e uma cama semanalmente desarrumada, ainda assim, a sensação de limpeza era grande. Minha curiosidade restringiu-se a poucos passos e esse olhar meticuloso.

Estava no lado de fora agora, apesar da desorganização ser marcante, a sensação de limpeza renovava-se. A direita tinha um colchão no chão, colchão tipo meio casal, deitei nele e inspecionei com os olhos o pátio, agora de maneira mais discreta, o chuveiro silenciou.

Surge uma criança, parece feliz por me ver, se joga em minha direção, abraço ela, dou um oi e um beijo, ela desaparece. Surge agora três cachorros, todos pretos, peludos e diferentes entre si, um dos cachorros se aproxima, era o menor, ele também parece de certa maneira feliz em me ver, encosta-se, estendo a mão para acaricia-lo, ele me da a pata, as gemas de seus dedinhos bem como a palma de sua pata eram uma coisa só, fico acariciando-a e ele ficando sonolento.

Ela surge, compõem a imagem agora "entrando" no pátio, parece que ainda busca o sol para seus cabelos molhados, cuida bastante para não me olhar, vem na direção do colchão falando com o cãozinho de maneira carinhosa, pede para que saia do meu lado e vá para perto de meus pés. - Vai, vai para perto dos pés do “tio”. Ela diz.
Deita ao meu lado, já estamos deitados, ela encostada em mim, ambos de costas, me viro, posso ver a luz refletindo em seus cabelos escuros agora já secos, sinto o perfume dela e do cabelo (a única sensação real até então). Ela dormi ali encostada em mim. E eu, sigo velando seu sono. Acordei.
*registro fiel de meu sonho agora pela manhã - 15/02
Lucio Uberdan

segunda-feira, fevereiro 12, 2007

Hackers bombardeiam três servidores raiz DNS

Três dos treze chamados "DNS root servers" (servidores raiz que fazem a distribuição dos nomes de domínio), entre eles um mantido pelo Departamento de Defesa americano, foram atacados com uma sobrecarga de dados por cerca de 12 horas.

Os ataques DoS foram iniciados durante a noite de terça-feira e visaram principalmente os servidores G (Departamento de Defesa americano), L (da ICANN, órgão responsável pelo registro de domínios) e o M (do projeto WIDE), estabelecidos em diferentes locais.

Ataques direcionados a outros dois servidores, F e I também foram feitos, mas foram de menor duração, embora tenham acertado algumas terminações de domínios, como foi o caso da extensão .org.

O instituto de segurança SANS disse estar ciente dos ataques, mas liberará um relatório oficial apenas depois de realizar análises mais cuidadosas sobre os dados, e encorajou qualquer pessoa com logs ou outras informações a respeito dos ataques a contatar seus representantes.

Durante os ataques, alguns serviços ficaram parados, como o caso do Whois, que permite identificar proprietários de domínios registrados pela ICANN. O fato surpreende, já que o grupo é composto de 13 servidores principais que distribuem dados para dezenas de servidores menores geograficamente espalhados para que, mesmo que dois terços falhem, os serviços não sejam interrompidos.

O motivo para os ataques não é conhecido ainda, mas Duane Wessels, pesquisador do Supercomputing Center em San Diego, acredita que tenha sido apenas uma tentativa de "se mostrar" ou causar tumulto. Por conta de uma "camuflagem" dos pacotes usados na sobrecarga dos servidores, é difícil descobrir a origem dos ataques, mas muitos dados foram rastreados e levaram até computadores da Coréia do Sul, o que pode indicar o ponto de origem.

John Crain, CTO da ICANN avisou que a busca pelos responsáveis vai continuar, e que este foi um dos ataques mais significantes contra a internet desde outubro de 2002, quando outro ataque foi feito aos mesmos 13 servidores raiz.

domingo, fevereiro 11, 2007

despenalização do aborto é lei em Portugual

"O SIM ganhou, no referendo mais participado de sempre. A sociedade portuguesa deu um sinal inequívoco à Assembléia da República para que legisle de acordo com a vontade dos portugueses." Blog Feminino Lucio Uberdan

Democracia

"A verdadeira funcionalidade da democracia, é garantir a liberdade para o consumo" Quanto Vale ou é Por Quilo?

Truebavarian - um flickr animal....

True_bavarian Photos é um Flickr profissional, são algumas centenas de fotos diversas, um book para ficar horas, clique aqui.
Lucio Uberdan

quinta-feira, fevereiro 08, 2007

As esquerdas precisam de biologia

Clique na imagem e leia na íntegra o artigo do Leonardo Boff

"A classe, por imprescindível, é insuficiente para dar conta da complexidade da sociedade; o pacto social deve ser articulado com o pacto natural." - Leonardo Boff
Lucio Uberdan

domingo, fevereiro 04, 2007

Meninos e o Mar - 02/02/07 Praia do Rio Vermelho - Salvador - BA.

Meu Flickr
Lucio Uberdan

Quando Nietzsche Chorou (parte I) - Romance de Irvin D. Yalom - "Sonhei que estava na cama com uma mulher e que houve uma luta."

No suposto encontro e convívio (ficção) de Josef Breuer (amigo e mentor de Sigmund Freud) e o filósofo Friedrich Nietzsche, tramado no romance “Quando Nietzsche Chorou” (que não durará 3 dias frente aos meus olhos), num determinado diálogo acerca de sonhos e amor (pag. 322 e 323) Niet afirma: Sonhos - “Sonhei que estava na cama com uma mulher e que houve uma luta. Talvez ambos disputássemos os lençóis. De qualquer modo, alguns minutos depois, vi-me firmamente amarrado pelos lençóis, tão firmemente que não conseguia me mover e comecei a sufocar”; Amor – “Sonho com um amor que seja mais do que duas pessoas ansiando para possuir (poder) uma à outra. Certa vez, não faz muito tempo, pensei tê-lo encontrado. Mas me equivoquei (comentário sobre Lou-Salomé) (...) Sonho com um amor em que duas pessoas compartilham uma paixão de buscar juntas uma verdade mais elevada. Talvez não devesse chamá-lo de amor. Talvez seu nome ideal seja amizade.”
Ficção aparte, nem Niet resolveu esse problema para si (relação de poder no amor), mas como ele afirma, era um filósofo que nascerá postumamente. Nem seus discípulos ainda existiriam. Era um filósofo para os próximos 100 anos. Cabe a "nós". A cada um, fazer sua parte, o período aqui está presente. O "nós" tem um duplo sentido, 1. Atualidade histórica pelo período colocado por Niet (+- 100 anos após); e 2. filosófico, pois cada um tem a única possibilidade de resolver-se a si mesmo para Niet.
Lucio Uberdan

Nós somos o rompimento do tempo, o disparo contra os relógios - John Holloway - Palestra em Roma 2006

Nós somos femininos, nós mulheres e nós homens, porque a crise do trabalho abstrato é a crise da atividade e forma de luta dominada pelo masculino, e porque a nova luta de classes não tem a mesma composição de gênero da antiga.

Nós somos o rompimento do tempo, o disparo contra os relógios. O movimento do trabalho abstrato projeta a revolução no futuro, mas a nossa revolução só pode ser aqui e agora, porque nós estamos vivos aqui e agora, e no futuro estaremos mortos (ou imortais). Nós somos a intensidade do momento, a busca (a busca de Fausto, a busca de Bloch) pelo momento da realização absoluta. Somos a poesia da classe trabalhadora, a classe trabalhadora como poesia.

Nossa revolução, então, não pode ser entendida como a construção para um grande evento no futuro, mas somente como a criação aqui e agora de trincas ou fissuras ou rupturas na textura da dominação, espaços ou momentos nos quais dizemos claramente "não, não aceitaremos que o capital molde nossas vidas, faremos o que consideramos necessário e desejável". Olhe ao redor, e podemos ver que estes espaços e momentos de recusa-e-criação existem em todos os lados, da Selva Lacandona à recusa-e-criação momentânea de um evento como este. A revolução, a nossa revolução, só pode ser entendida como a expansão e multiplicação destas fissuras, estes lampejos de recusa-e-criação, estas erupções vulcânicas do fazer contra o trabalho.

Perguntado caminhamos. Preguntando caminamos.

Na íntegra aqui
Lucio Uberdan

terça-feira, janeiro 30, 2007

Mayra Andrade, sua família seu povo em Tunuka

Uma revelação da WordMusic, uma menina, Mayra Andrade canta e conta a vida do povo de Cabo Verde. Lucio Uberdan


Tunuka
Tunuka, Tunuka bála
Ki tem koráji, é só Tunuka di meu
Sukuru ka da-l kudádu,
Ka duê-l xintidu, ki fari duê-l korasom.
Tunuka é nós ki bai,
É nos ki bem, é nos ki fika li-mé.
Nu uni korasom,
Nasionalidádi dja-nu tem dja,
Nu mára nós kondom, nós limária nu dexâ-l la.
É nós ki mbárka pa Sam Tomé
Injuriádu marádu pé
Mi ku bo ki stába la mé
Tudu m-dádu m-da-u també
Na nós pom di kada diâ, oxi dretu manham mariádu
Ramediádu ka tem midjor
Ki spéra m-dádu m-da-u també.
Tunuka kre-u ka pekádu
Da-u ka ta fládu, má só bu da-m ki tenê-m.
Tunuka, Tunuka, Tunuka
Tunuka,Tunuka, é ti si ki-m tem pa-m fla-bu.
(solo)- Tunuka,t,t,t,t, é ti si ki-m tem pa-m fla-bu…

domingo, janeiro 28, 2007

Mayra Andrade



Não se iluda pelo rosto bonito, não é Shakira.

O Ano é 2006, a idade é apenas 20 anos, o disco é "Navega", a referência é a rainha Cesaria Évora. Cantando em cabo-verdeano, Mayra Andrade lançou seu primeiro e único disco até então. Vale muito.
Lucio Uberdan

Três notícias da Economia Solidária

De volta para casa, depois de dois dias em Porto Alegre a trabalho. No sábado tivemos a 1ª reunião da Coordenação do Fórum Gaúcho de Economia Popular e Solidária, espaço máximo de organização do movimento no RS. 7 regiões do estado se fizeram presentes, mais de 50 homens e mulheres, trabalhadores e trabalhadoras, lideranças da Economia Solidária no RS. O crescimento, o nível do debate e o amadurecimento do movimento a cada dia me espanta mais, a reunião foi um sucesso e o movimento de Economia Solidária se fará enxergar na sociedade esse ano.

Junto a reunião da coordenação, tive 3 gratas surpresas com a Economia Solidária esse final da semana, a primeira já citei, o sucesso da reunião do movimento, a segunda, foi a conquista definitiva do ISO 9001:2000 pela Cooperativa do Trabalhadores Metalúrgicos de Canoas – CTMC. A CTMC é uma empresa Autogestionária que compõem a Economia Solidária, com essa notícia, ela resolve definitivamente as falsas críticas “capitalistas” ou “esquerdistas” que afirmam: Economia solidária só funciona em pequenos empreendimentos, com qualidade duvidosa e diminuindo condições financeiras e direitos dos trabalhadores – A CTMC comprova que sucesso em uma grande empresa, gestão qualificada, qualidade de produto, trabalhadores com renda acima da média e participantes de 100% da gestão do empreendimento (autogestão) é cada dia mais, um horizonte irreversível no Brasil. Parabéns a CTMC.

A terceira surpresa foi com a CONSOL e as Lojas Mundo Paralelo, a CONSOL é uma cooperativa autogestionária de consumo que articula a comercialização dos produtos da Economia Solidária, com seu histórico de luta, organização e ação no comércio justo e solidário, ela conquistou junto a Secretaria Nacional de Economia Solidária – SENAES – MTE, um apoio definitivo do Governo Federal para sua consolidação. São duas lojas com nome Mundo Paralelo, uma em Porto Alegre e uma em Novo Hamburgo, em Porto, a loja e o bar café, ficam perto da Rua da Praia, na ladeira junto a Casa dos Bancários – Gal. Câmara, 424. Vale a pena.

A Missão - espaço cultural/ café
A loja

Lucio Uberdan

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Delícia

[Que delícia...]
[sexta >> 26/01 >> 00:08]
[agora descansando]
[de pé (s) pra cima]
[Olhando pra parede]
[no escuro do quarto >>>>>>]
[ bem deitado ---]
[...e o cd Diwan2 do louco Argelino Rachid Taha soprando...]
[(E) Soprando, bem alto]


clique aqui e escute Rachid Taha tocando ao vivo com Faudel e Khaled
Lucio Uberdan


quinta-feira, janeiro 25, 2007

Fórum Social Mundial 2007


Clique na foto e escolha por onde acompanhar o Fórum Social Mundial de Nairobi - Quênia. O FSM 2007, é o primeiro grande evento da história da sociedade civil mundial organizada no continente Africano, que não ocorre na África do Sul, detentora sozinha de mais de 50% do PIB do continente Africano.
Lucio Uberdan

quarta-feira, janeiro 24, 2007

I Música (I semana)

James Blunt - Wiseman

"Leio oque quero e quando posso"

A vida me é muito estranha sabe, na “realidade” sei que sou feliz, mas ao mesmo tempo, elementos que muito me trazem felicidade são curtos. Alguns, atualmente inexistentes, mas deixo esses últimos de lado.

Os momentos curtos, essencialmente são para escutar música, e para ler. Sempre gostei de ler e acho que a faculdade (Ciências Sociais) me consolidou ainda mais isso, apesar de, dificilmente ler os textos de lá. “Infelizmente” prefiro definir o que vou ler, e pago por isso na faculdade, ou seja, meu “rito de passagem” lá, vai ser longo, bem demorado; mas não esquento, já internalizei e aceito isso numa boa, portanto, leio o que quero no pouquíssimo tempo que tenho fora do trabalho.

Tenho pouco mais de 200 livros e mais outros 100 na cabeça para serem adquiridos e lidos, meus livros são de literatura, poesia, política e sociologia, em especial, a antropologia e os temas que tratem a sociedade contemporânea a partir da tecnologia, esses, tem tomado ainda mais meu curto tempo.

Ainda ontem fiz minha visita mensal a Vanguarda: 4 livros, me passei; geralmente é 1 por mês. Encomendei “Mudar o Mundo sem Tomar o Poder” do John Holloway para acompanhar os debates propostos pelo prof. Alfredo Gugliano (ok); “O homem pós-orgânico. Corpo, subjetividade e tecnologias digitais” da Antropóloga argentina Paula Sibilia, (ta esgotado, mas tentarão conseguir); “Dilemas da Civilização Tecnológica” coletânea de textos coordenados por Hermínio Martins e José Luís Garcia do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, Hermínio Martins atualmente é uma das grandes referências no debate da Ciência da Tecnologia (só importado – esperando o valor para confirmar) e por fim a “Inconstância da Alma Selvagem” do Viveiros de Castro (encomendado), esse foi indicação do professor de antropologia Edgar Neto, por sinal, artigos do Viveiros de Castro seguidamente aparecem no meu blog (de maneira humilde claro).

Gosto e procuro ler todos os livros que tenho, em cada tema tem aqueles que tornam-se mais próximos de mim, penso que isso seja normal. Se não for, pouco importa.


Alguns dos mais próximos na Antropologia, Política e Sociologia – o do Viveiros entrará aqui ao chegar.

Lucio Uberdan

terça-feira, janeiro 23, 2007

Adolescente na década de 80 (parte II)

The Smiths - How Soon Is Now

O Perspectivismo Ameríndio de Viveiros de Castro

Abaixo, parte de uma entrevista de Viveiros de Castro - Antropólogo Brasileiro do Museu Nacional do Rio de Janeiro. Para além das questões científicas e próprias do conhecimento e interesse de alunos e profissionais da área de Ciências Sociais, as contribuições do Perspectivismo Ameríndio, são essenciais a todos(as), afinal, o ser (estar) "humano" é uma qualidade (?!) também da onça (?!) do porco (?!) e por ai vai. Aqui a íntegra da entrevista. Aqui detalhes da publicação de "Inconstância da Alma Selvagem" - Cosac Naify, aqui a sua resenha.
Lucio Uberdan

“Perspectivismo” foi um rótulo que tomei emprestado ao vocabulário filosófico moderno para qualificar um aspecto muito característico de várias, senão todas, as cosmologias ameríndias. Trata-se da noção de que, em primeiro lugar, o mundo é povoado de muitas espécies de seres (além dos humanos propriamente ditos) dotados de consciência e de cultura e, em segundo lugar, de que cada uma dessas espécies vê a si mesma e às demais espécies de modo bastante singular: cada uma se vê como humana, vendo todas as demais como não-humanas, isto é, como espécies de animais ou de espíritos.

Assim, por exemplo, as onças se vêem como gente, vendo ainda vários elementos de seu universo como se consistissem de objetos culturais: o sangue dos animais que matam é visto pelas onças como cerveja de mandioca etc. Em contrapartida, as onças não nos vêem, a nós humanos (que naturalmente nos vemos como humanos), como humanos, mas sim como animais de presa: porcos selvagens, por exemplo. É por isso que as onças nos atacam e devoram. Quanto aos porcos selvagens (isto é, aqueles seres que vemos como porcos selvagens), estes se também se vêem como humanos, vendo, por exemplo, as frutas silvestres que comem como se fossem plantas cultivadas -mas vêem a nós humanos como se fôssemos espíritos canibais (pois os caçamos e comemos).

Há vários desdobramentos e implicações desse complexo de idéias: por exemplo, que a forma corporal de cada espécie é uma roupa ou invólucro que oculta uma forma interna humanóide; ou, ainda, que os xamãs são os únicos indivíduos capazes de assumir o ponto de vista de mais de uma espécie além da sua própria; ou, ainda, que, dada a humanidade reflexiva de cada espécie, a caça e o consumo de carne animal são empresas metafisicamente problemáticas, jamais livres de conotações canibais. Tudo isso assenta em um pressuposto fundamental, o de que o fundo comum da humanidade e da animalidade não é, como para nós, a animalidade, mas a humanidade.


Os mitos indígenas descrevem uma situação originária onde todos os seres eram humanos, e a perda (relativa) dessa condição humana pelos seres que vieram a se tornar os animais de hoje. Ou seja, se para nós os humanos “foram” apenas animais e se tornaram humanos, para os índios os animais “foram” humanos e se tornaram animais.


Nós pensamos, é claro, que os humanos fomos animais e continuamos a sê-lo, por baixo da “roupa” sublimadora da civilização; os índios, em troca, pensam que os animais, tendo sido humanos como nós, continuam a sê-lo, por baixo de sua roupa animal. Por isso, a interação entre humanos propriamente ditos e as outras espécies animais é, do ponto de vista indígena, uma relação social, ou seja, uma relação entre sujeitos.


Entre as conseqüências filosóficas mais interessantes dessa doutrina perspectivista indígena está uma concepção das relações entre “Natureza” e “Cultura” radicalmente distinta daquela que vigora, em versões historicamente variáveis, na tradição ocidental, desde o par phusis/nomos da Grécia antiga ao par nature/société do Iluminismo."

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Hegemonia e Diversidade Cultural - Gilberto Gil

"A antropologia desalojou o tempo único e a linearidade do velho mundo. O tempo cristão arcaico previa um tempo que se afunilava em direção ao seu esgotamento moral, sob a luz do filho na terra, incapaz de honrar a sua origem celestial. Sua finalidade estava na própria origem do tempo, que se dissolvia e perdia sentido como uma ampulheta. O homem sonhava com a origem e sofria ao dela distanciar-se."

Hegemonia e Diversidade Cultural > é o nome da conferência de Gilberto Gil no II Fórum Cultural Mundial. Texto longo de leitura rápida. Texto limpo, semeador de rizomas incessantes, conexões que demarcam com solidez e esperança o espaço da diversidade em um momento de crise, irreversível, da modernidade que nos foi apresentada pelo iluminismo.

Gil fala de Alteridade, Estado, Liberdade, Luta Social, apresenta seu conceito de Cultura, dedica-se a Diversidade Cultural, antes um mal (modernidade) que agora revisto, "...preenche nossos corações..." mas frisa: " ... as diferenças culturais são positivas, mas as desigualdades sociais não são e nem serão jamais"

Um texto que adequa-se ao tamanho e abertura do óculos de cada um, pois "...opiniões diferentes ... muitas vezes expressam momentos distintos da compreensão de um mesmo fenômeno."

Lucio Uberdan

domingo, janeiro 21, 2007

Posso mudar me transformando com o outro, sem me perder nem me desnaturalizar

Por Edouard Glissant
"Convivemos com as fronteiras não como símbolos e elementos do impossível, mas como lugares de passagem e de transformação. Na Relação, a influência mútua das identidades, individuais e coletivas, requer uma autonomia real de cada uma dessas identidades. A Relação não é confusão ou diluição. Posso mudar me transformando com o outro, sem me perder nem me desnaturalizar. Por isso temos necessidade de fronteiras, não mais para nos deter, mas para exercermos essa livre passagem para o outro, para salientar a maravilha do aqui-lá." Na íntegra>>>

Lucio Uberdan

A Day In The Life Of Africa

Um projeto --
100 fotógrafos --
Um continente do tamanho do mundo --
A Day In The Life Of Africa


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Lucio Uberdan

sábado, janeiro 20, 2007

I Música (7) findi

O preferido - Le Métèque - Ma Liberté é a música 19

George Moustaki Ma liberté
Poeta grego e músico francophone, com vasta carreira, muitos discos e poesias. Pessoalmente tenho 10 cds dele, da coleção "Moustaki" da Polydor Francesa, que vai do "Les musiciens" até "Mediterraneen". Todos são únicos e o Le Métèque é o preferido.

Lucio Uberdan

quinta-feira, janeiro 18, 2007

Computadores e software, de equipamento útil, para espião doméstico...

"Em 2010, o presidente Clinton pode ter dois botões vermelhos em sua mesa - um que manda mísseis à China e outro que desliga todos os PCs da China - e adivinhem qual deles os chineses mais temerão?"
Ross Anderson

A robotização do controle
Por Diego Saravia
Na íntegra>>>
Lucio Uberdan

Ciberguerra

"Em 2003, quando foi iniciada a atual guerra no Iraque, os sites iraquianos, todos obrigatoriamente registrados na Icann (Empresa convêniada que controla a Internet), nos Estados Unidos, saíram do ar misteriosamente. Até hoje, a empresa, responsável pelo registro de sites no mundo todo, não deu uma explicação sobre o ocorrido."

ONU descarta mudar controle da internet

"A ONU praticamente enterrou a proposta do Brasil de levar o controle da internet para uma entidade internacional e tirar das mãos da Icann, empresa com sede na Califórnia. O novo secretário-geral da União Internacional de Telecomunicações (UIT), Hamadoun Touré, anunciou que sua agência - ligada à ONU - não tem qualquer intenção de passar a administrar a rede e acredita que a criação de um novo fórum geraria controvérsias."

CIBERGUERRA

Touré defende que os países fechem um acordo internacional, envolvendo ainda as empresas, para garantir a “paz no ciberespaço”.

“Não há desenvolvimento sem segurança e nem segurança sem desenvolvimento. Temos que evitar uma ciberguerra entre os governos”, disse. “Ninguém seria vencedor, pois todos dependem da rede hoje. Por isso, a internet deve ser um local seguro para todos.

Na íntegra>>>
Lucio Uberdan

Cientistas adiantam em dois minutos o "Relógio do Apocalipse"

Por France Presse - Londres

O Boletim de Cientistas Atômicos (BAS) adiantou nesta quarta-feira em dois minutos o ponteiro do Relógio do Apocalipse, um instrumento que simboliza a iminência de uma hecatombe nuclear.

Relógio do Apocalipse nuclear é adiantado
O ponteiro do "Relógio do Apocalipse", criado em 1947 para simbolizar os riscos das armas nucleares para a humanidade, agora marca cinco para a meia-noite, após ser adiantado em dois minutos, durante cerimônias organizadas simultaneamente em Washington e Londres.

"Estamos no limiar de uma segunda era nuclear. O mundo não se confronta com opções tão perigosas desde que as primeiras bombas atômicas foram lançadas sobre Hiroshima e Nagazaki [1945]", alertou o grupo de cientistas, que inclui 18 prêmios Nobel.

"O recente teste norte-coreano de uma arma nuclear, as ambições nucleares iranianas, as insistentes evocações da presença contínua de 26 mil armas nucleares nos Estados Unidos e Rússia são sintomáticos da incapacidade de resolver os problemas trazidos pela tecnologia mais destrutiva da Terra", afirmou.

O grupo de cientistas também alertou sobre o fracasso do mundo em resolver os problemas representados pela crise do aquecimento global.
Esta é a primeira vez que o relógio é adiantado desde fevereiro de 2002.

O relógio foi criado por cientistas de Chicago que participaram do projeto Manhattan, que deu origem à bomba atômica, lançada pela primeira vez sobre Hiroshima, no Japão, em 6 de agosto de 1945.
Lucio Uberdan

quarta-feira, janeiro 17, 2007

O papel já não serve nem para embrulhar peixe...

(falta Correa e Ortega)

Ou: En la prensa brasileña, hoy, el papel no sirve ni para embrollar pez
Fernando Soares Campos

Nos próximos dias 18 e 19, ocorrerá, aqui no Rio de Janeiro, mais uma reunião de cúpula dos países integrantes do Mercosul. A pauta da reunião engloba variadas abordagens, desde turismo sustentável e prevenção contra a exploração sexual de crianças e adolescentes até as permanentes questões envolvendo interesses políticos, sociais e econômicos da região. Há muito o que se discutir. Existe em andamento a idéia de integração do ensino superior entre os países da América Latina, com a criação de uma Universidade do Mercosul, que teria sede no Brasil. Entretanto a imprensa brasileira já pautou o alvo de suas atenções durante o evento. Sim, será ele mesmo, o "nouveau socialiste" Hugo Chávez.
Prossegue>>>
Lucio Uberdan

terça-feira, janeiro 16, 2007

Fala??!!!

Fala (trecho) - Orides Fontela

Tudo
será difícil de dizer:
a palavra real
nunca é suave.

Tudo será
capaz de ferir. Será.
agressivamente real.
Tão real que nos despedaça.

segunda-feira, janeiro 15, 2007

Sera o Pós-humano?

Sera o Pós-humano?
Edgar Franco

“O termo hibernou e retorna atualmente ligado aos avanços tecnológicos e às proposições de hibridização em homem e máquina, carne e silício, no sentido de transposição da ontologia tradicional, dos limites físicos e naturais que definiriam historicamente o conceito de humano.” Prossegue>>>
Lucio Uberdan

domingo, janeiro 14, 2007

(...) nunca conseguiria fugir do arrependimento...

"Havia um cheiro de adeus pairando no meu ranchito
E um sofrer infinito que não desejo a ninguém
Até que um chasque moreno deu vida aos planos da gente
E um naco de ousadia revigorou a semente

Botei os sonhos na estrada, pelas patas da rosilha
Deixei para trás a tropilha para fugir com minha amada
Pois nunca conseguiria fugir do arrependimento
De perdê-la, assim no mais, já no primeiro tormento"

"Frente aos olhos da Paixão" - Letra - Eduardo Muñoz
Música - Rui Carlos Ávila
Lucio Uberdan

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Youth - Matisyahu

Jovem homen, o controle em suas mãos
Bata seu punho na mesa e faça sua demanda
Conseguir se por de pé
Fã do fogo para as chamas de um jovem
Conseguir a liberdade para escolher
Melhor fazer o movimento certo
Jovem homen, o poder em suas mãos
Bata seu punho na mesa e faça sua demanda

refrão de Youth - Matisyahu (clique aqui para escutar)

quarta-feira, janeiro 10, 2007

Matisyahu canta no Brasil

Nome de peso do reggae mundial, Matisyahu cantará no festival de verão de salvador-BA. Matisyahu é adpto do Judaismo Ortodoxo, com som baseado no reggae tradicional, Matisyahu incorpora elementos do folk, do rock e do hip-hop, e interpreta letras pacifistas que têm repercutido muito além da comunidade judaica. Vale a pena, tenho o Youth de 2006 (vai levar o Grammy).
Matisyahu - cd Youth - Fire of Heaven/Altar of Earth
Lucio Uberdan

Adolescente na década de 80?

The Smiths - Girlfriend in a coma

terça-feira, janeiro 09, 2007

Download de MP3 - Blog Gambrinus

Costumo pesquisar, garimpar mp3 (CD's inteiros) em inúmeros blogs e sites nacionais e internacionais. Numa dessas andanças, achei o Gambrinus, um blog gaúcho que vale a pena navegar como um todo, mas, para quem como eu foi adolescente na década de 80, o Gambrinus tem uma seleção de Smiths muito boa >> aqui
bjs
Lucio Uberdan

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Fotos

Minha câmera tem tornado-se uma companheira muito especial, inesperada, inteligente... excitante.
Sempre junto com ela, acabo sendo carinhoso, não reclamo de nada.. sou presente, levo-a para passear..sou bom para ela.... para minha câmera.
Tudo que é novo é assim? não?
Bj,
ps - Minha sobrinha na foto.
Lucio Uberdan

Caixa II - revivendo agosto

Caixa I

Caixa II

Os ursos dormem,
São estranhos, diferentes, mas são ursos.
Bonitos ursos.


Andei no meio deles,
Estão comigo aqui na caixa,
Tranqüilos em sua liberdade.


Não vou fazer barulho por eles,
Melhor o silêncio.
Para não imaginarem junto comigo.


sábado, janeiro 06, 2007

Feias ainda por mais um longo tempo.

Você já mudou? Já sentiu que tem a possibilidade de lidar de maneira diferente com questões que anteriormente eram difíceis? Você tem certeza disso? Dessa mudança? Ela parece forte e real não? Será mesmo? talvez sim. Provavelmente sim.

Mas notou que essas certezas só chegam quando não temos mais como falar sobre isso, quando aqueles que tinham que saber já não escutam mais, e não escutam mesmo.

Posso afirmar que não se quer voltar no tempo e, geralmente, nem passar pelas mesmas situações novamente para coloca-las a prova, mas sim, o que se quer, é fechar o circuito da mudança.

Em certas questões somos como lagartas, que mesmo agora borboletas, não voam, não completam o circuito, estão trancadas pelo passado no casulo. Feias ainda por mais um longo tempo.
Lucio Uberdan

"Desde que me cansei de procurar,
aprendi a encontrar;
Desde que o vento começou a soprar-me na face,
velejo com todos os ventos."
Niet


Eu...

"Eu estou enlouquecendo"
Out of my mind - James Blunt

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Billy - James Blunt

Outrora ele era um amante dormindo com alguém.
Agora ele só é conhecido como um traidor.
E ele deseja que tivesse tido um espelho, olhado um pouco mais claramente.
Visto dentro dos olhos dos fracos.
O amanhã chega. A mágoa se torna sua alma gêmea.
O estrago está feito. O filho pródigo está atrasado demais.
Velhas portas estão fechadas mas ele está sempre aberto,
Para reviver o tempo em sua mente.
Oh Billy.
Billy - James Blunt

Punta Del Diablo II (fotos)

Na posada foto para recordação.
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Mapa de Punta del Diablo
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Espaço de alimentação da pousada Rocamar
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Almoço no restaurante Dom Quijote, amigas(o) Alexandre, Bea, Márcia e Melina.
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A foto que a mídia pedia, registro de parte da apreensão da PF - Pesos, dolares e reais.
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Virada de ano com amigas(o) tudo de bom. Eu, Márcia, Bea, Alexandre e Melina.
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Punta del Diablo

Saímos de Pelotas para Punta Del Diablo na sexta feira passada (29/12) ao meio dia, eu e mais 4 amigas(o). A viagem é algo tipo 260KM, 220KM no Brasil e mais uns 40KM dentro do Uruguay. No caminho tem a Estação Ecológica do Taim criada oficialmente em 1986, recebe várias espécies de aves migratórias da patagônia. O Taim, foi ampliado por decreto do atual governo federal de 33.000 ha para 100.000 ha e vale a pena dar uma paradinha. Mais uma hora e pouco estamos no chuy, divisa entre Brasil e Uruguay, daqui a 40KM estamos em Punta del Diablo.
Punta del Diablo é uma vila muito rústica, bonita e relativamente grande, situa-se em um alto que proporciona a todas as casas verem o mar, no baixo tem a praia, e essa foi dos meus sonhos, tem tudo e ao mesmo tempo é simples e sem aquelas milhares de pessoas, não tem badalação, mas tem bares com música ao vivo, boa comida e pessoas bonitas, lá você não vê grades em janelas e nem muros nas casas. Em suma, um lindo lugar que merece muito ser visitado. Bjs.
Lucio Uberdan

sexta-feira, dezembro 29, 2006

1º de ano

Sempre curti as Festas de Natal e Ano Novo, com todas suas magias e mitos. Tem muita gente, principalmente os “esquerdistas estéticos” (nomenclatura que um amigo inventou) que acham essas festas uma bobagem fruto do capitalismo (eta simplismo). Meu Natal esse ano foi ótimo, minha irmã da Bahia veio com companheiro e minha sobrinha que eu não via a mais de ano, meu irmão de Marau veio com a companheira e meus dois sobrinhos, minha irmã que mora aqui em Pelotas veio e seus filhos também. Mais tia, meus pais. A festa foi grande.
Agora no Ano Novo vou viajar com amigos, vamos passar uns 4 ou 5 dias em Punta Del Diablo no Uruguay, mais precisamente em Rocamar. Vou todo atravessado (doente) rsrsrssr, azar.
Um beijo ao 5 amigas(os) e até a volta.

Lucio Uberdan

segunda-feira, dezembro 25, 2006

Sou um eu de minha cultura?

Os hábitos alimentares, foram uma das primeiras prática estudadas pelos culturalistas antigos. Esse estudo não foi de graça, pois na alimentação, torna-se claro, símbolos, práticas e relações sociais de uma sociedade em particular. Mas na contemporaneidade isso funciona bem ainda? Como resolvemos a situação, por exemplo, do meu prato hoje ao meio dia do dia de Natal?

Tem churrasco (Gaúcho), Tabule (Sírio), Feijão Tropeiro (Mineiro) e salada gelada de frutas com creme.

Quando todas as culturas se atravessam, poderíamos imaginar que a globalização consolida-se, porém, é quando temos um leque de possibilidades infinitamente amplo e próximo, que o particular ressurge e mantém-se com mais força ainda.

Olhando meu prato com o Tabule e o feijão tropeiro, recordei-me das "pressões por autonomia local" tão bem colocadas por Giddens no livro "Mundo em Descontrole" (vale a pena ler).

Tive a honra de ler Giddens, nas aulas do prof. Gugliano. Por sinal, o Gugliano está no Jornal Diário Popular de ontem/hoje, 2 páginas inteiras sobre o o processo eleitoral Venezuelano o qual o professor foi observador internacional - Que orgulho.

Lucio Uberdan

domingo, dezembro 24, 2006

Pelourinho pós-moderno (parte I sequência de viagem).

Em visita ao Pelourinho – Salvador/BA, nesse mês de Dezembro, encaixou-se algumas idéias que tenho sobre a pós-modernidade. Bem como à crítica feita pelos modernos, principalmente na política.

Geralmente quando surge alguma movimentação política espontânea, que está desconectada dos modelos de luta política tradicional e que na maioria das vezes desaparecem assim como apareceram (instantaneamente), ou até mesmo, quando o chamado lixo moderno invade as casas, corpos, bocas e mentes dos modernos, seja na violência sem medida e gratuita de jovens ricos contra índios e nordestinos ou na prostituição forçada de crianças nas esquinas (quem nunca viu?!); Seja nos acoplamentos tecnológicos simples, como celulares a mão (a extensão dela), cameras, pen-drives, silicones, próteses, células tronco e a nano-tecnologia com sua promessa de pós-humanos curados de sua fraqueza humana, curados de seu corpo; Na Mac-alimentação transgênica e gordurosa, remédios e rações alimentares com suas promessas de corpos “modernos perfeitos”.

Em suma, cada vez que os modernos deparam-se com o que “parece” não encaixar-se na natureza e na cultura moderna, os críticos dizem, isso é coisa dos pós-modernos.

Não defendo a sociedade pós-moderna como um ideal (seria moderno demais isso – a busca de uma sociedade globalizada), mas sim, compreendo a existência do andar constante e ascendente de sombras e carnes pós-modernas na sociedade contemporânea. Aceitou sua existência. E essas são posições totalmente diferentes. O que não parece encaixar-se (para os modernos), podemos pensar sim, como produto atrelado a modernidade. Uma criatura que volta-se contra o criador.

Aceitando a pós-modernidade, tenho a possibilidade de compreender o mundo atual sobre um ângulo diferenciado (e amplo). Percebo a pós-modernidade como um interregno, uma situação o qual aceito como viva mesmo que em estado de decomposição do corpo moderno. Uma Post-Modernidade. Uma repulsão do corpo (da sociedade) de seus vírus e doenças (promessas modernas de sociedades perfeitas). Somos resultados de uma situação de descrédito com os ideais modernos (são "n" ideais) que prometeram um mundo (perfeito) e nos apresentaram a barbárie.

Portanto, ao aceita-la, posso combatê-la com potência. Estou nela, sinto ela, sou visto como um membro, sou aceito. Sou pós-moderno.

Os críticos sonham em combatê-la, mas nem a entendem. Em suas cruzadas, acabam apenas por propor a sustentação da modernidade e suas razões iluminadoras que segundo a segundo promovem o aprofundamento da morte, do desconforto e da fome. Conseguem apenas olhar para trás.
Por fim, aprofundam a ascendência da própria “situação pós-moderna”.

A contradição explicitada.
Lucio Uberdan

I Música (6) Findi

Damien Saez - Tu Y Crois Toi

sábado, dezembro 23, 2006

Trabalho


Foto de um estabelecimento de Pelotas. Já teve um luminoso em funcionamento nessa prestação de serviço.

(...) hoje somente uma política do trabalho, das novas forças produtivas vivas é capaz de qualificar um projeto de emancipação. Por esta razão, a organização e dinâmica (...) do trabalho dos movimentos deve ser situado como novo ponto de partida para pensar o desenvolvimento.
Antonio Negri
Filosofo e Cientista Social Italiano.

* citação do livro - (G)lobal – Biopoder e Luta em uma América Latina Globalizada
Lucio Uberdan

domingo, dezembro 17, 2006

Passa uma tarde em Itapuã...

Bem, vamos lá. Chegamos em Salvador no domingo, para variar a janta já tinha ido, portanto, rumamos para praia as 23:00h mais ou menos, a câmera (falando nela, tenho Flickr agora) não foi devido alguns alertas que em Itapuã a noite na praia é meio perigoso. A praia de Itapuã é linda, tem várias partes, mas basicamente duas, uma alto clero e outra baixo clero, bem, pela hora acabamos indo para o baixo clero e foi tudo de boa, voltamos e dormimos que no amanhecer tinha muito trabalho.

Em Salvador amanhece a 5:00h da manhã, essa hora o sol esta alto e queimando. As fotos do post anterior são por essa hora na segunda feira.

E começa o trabalho, dia inteiro até ás 19:00h.



A noite o povo do Nordeste basicamente (ê povo bom), anos luz de nós gaúchos (metidos), saíram para a pagodeira, uma outra turma ficou no CTL. Manu da ONG Instituto Aliança e Chico do SERTA assumiram a viola.

Bjs


-=-
-=-
Um velho calção de banho
o dia pra vadiar
Um mar que não tem tamanho
e um arco-íris no ar
Depois, na Praça Caymmi
sentir preguiça no corpo
e numa esteira de vime
beber uma água de coco, é bom
Passar uma tarde em Itapuã
ao sol que arde em Itapuã
ouvindo o mar de Itapuã
falar de amor em Itapuã
(Toquinho)

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Itapuã - BA

Chegamos em Itapuã eu e Márcia (companheira da Ates e coordenadora do Consórcio em Pelotas) no domingo a noite, no aeroporto tinha uma van a nossa espera, em 30 minutos chegamos ao CTL - Centro de Treinamento de líderes da Arquidiocese Católica – BA. Lugar muito legal e bonito, as freiras administram o espaço. Vale citar, que o papa João Paulo hospedou-se lá em uma vinda ao Brasil. O CTL fica meio longe de tudo, mesmo estando em Salvador, ele fica longe das "festas", nem internet tem, por isso até agora "não tinha postado nada não" (dois "não" é coisa de Baiano).
No CTL nos dedicamos as 20 entidades, mais de 80 pessoas, aos trabalhos propostos para o II encontro do Consórcio Social da Juventude Rural. Abaixo vou colocando umas fotos do lugar.
Bjs.
Lucio Uberdan

A praia, 5 minutos de meu quarto. =) Vista da janela de meu quarto, o azul é o mar e não o céu... Essa foto foi batida às 5:30 da manhã, aqui tem sol a essa hora já.
Interior do CTL - Jardim lindo.
CTL visto da praia. (5minutinhos esse trecho).


sábado, dezembro 09, 2006

De volta

Desde quarta feira sem atualizar o RELatividade, a sorte é que meus 5 amigos que por aqui andam, são fieis (espero). Semanas danadas (muito trabalho), e essa em especial a pior de todas, mas, valeu (e vale) a pena. Essa noite vou dormir muito (apagar) o que não dormi nas últimas. Amanhã viajo, vou inicio da tarde para Porto Alegre e no final da tarde vôo para Salvador para acompanhar o pela segunda vez, o encontro de avaliação do Consórcio Social da Juventude Rural na praia de Itapuã. No consórcio, participam 20 ONGs brasileiras, a que faço parte (diretoria de projetos), a Ates, é a única do Rio Grande do Sul a participar. O encontro começa dia 11 e dia 15 ou 16 devo retornar.
Depois de alguns mesinhos juntando grana (comia fruta em vez de almoçar), comprei uma máquina digital, uma Sony H5, portando a viajem a Salvador vai ser documentada aqui no blog. Já viu hehehehe.
Bjs.
Lucio Uberdan

quarta-feira, dezembro 06, 2006

... Vida.. minha vida.

Vida de minha vida, meu sol.
Ao redor tudo é silêncio mortal.
E eu estou absolutamente só.
Rosa Luxemburgo